terça-feira, 2 de abril de 2013

O diálogo como crescimento

 
A palavra diálogo é composta de duas palavras gregas – “dia”, que significa “através de” e de “logos” que pode ser entendida como “significado, palavra, expressão, verbo, fala, relação”.
Desde o 6º. ano refletimos sobre a necessidade do diálogo e a importância que  ele tem sobre as relações humanas. É através dele que ampliamos a percepção sobre a realidade e nos tornamos cada vez mais humanos.
Sabemos dialogar bem pouco, pois sempre estamos “armados” de nossas convicções e, geralmente, não aceitamos opiniões contrárias.
A característica básica do diálogo é saber ouvir despojadamente, isto é, sem a pretensão de dominar a verdade. O diálogo não é doutrinador, é um espaço democrático onde as ideias podem fluir livremente e acrescentar sentido às nossas razões.
O texto abaixo vai complementar a  ideia sobre a importância do diálogo e como as discordâncias podem acrescentar novos horizontes à nossa percepção.

As discordâncias
 
 " [...]     Se fôssemos mais flexíveis com as discordâncias, logo destruiríamos a soberba de que somos os donos da verdade e de que ninguém sabe mais do que nós. Não deveria ser tão estranho alguém discordar de nós, até porque ninguém é obrigado a concordar com tudo nem com todos. Ainda bem que o concordar é relativo à força da persuasão! Há de se convencer alguém a concordar com você, e isso não é tão simples assim. Posso até conviver com você, mas nunca estou obrigado a concordar com seus pensamentos. 
         Volta e meia, algumas pessoas se aproximam de nós – pelo menos eu já passei por experiência parecida – para dar uma opinião esperando apenas uma confirmação positiva acerca do assunto. Ou seja, o desejo de autoafirmação das pessoas é tão forte que o diálogo crítico e autêntico acaba se banalizando ou mesmo ficando em segundo plano. Muitas vezes, sufocamos o diálogo em virtude de uma acomodação simples e passiva às opiniões alheias, quando, na verdade, segundo Paulo Freire, o diálogo “é uma relação horizontal de A com B. Nasce de uma matriz crítica e gera criticidade (Jaspers). Nutre-se de amor, de humanidade, de esperança, de fé, de confiança. Por isso, somente o diálogo comunica. E quando os dois pólos do diálogo se ligam assim, com amor, com esperança, com fé no próximo, se fazem críticos na procura de algo e se produz uma relação de 'empatia' entre ambos”(FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. 12ª ed. São Paulo: Paz e Terra, p. 39).
         Somente uma educação com base na ironia socrática ou na humildade pode nos levar a descobrir o valor das discordâncias. Discordar eleva a discussão ao grau de maturidade intelectual em que ambos estão suscetíveis a mudar de opinião. Discordar, com isso, tira o ranço de autoridade que há no diálogo entre duas pessoas que se dizem civilizadas. Discordar fortalece os argumentos que se pretendem afirmar. Discordar nos permite ir além do óbvio. Discordar põe à prova algumas verdades estabelecidas. Discordar quebra o gelo num grupo, numa palestra chata ou numa reunião burocrática. Discordar é também saber aceitar as discordâncias e contradições no seu discurso, até porque ninguém está totalmente certo nem totalmente errado. Aliás, quando discordamos, aprendemos que não somos suficientes, e sim necessários.
        [...]A educação crítica considera os homens como seres em devir, como seres inacabados, incompletos em uma realidade igualmente inacabada e juntamente com ela. Por oposição a outros animais, que são inacabados mas não históricos, os homens sabem-se incompletos. Os homens têm consciência de que são incompletos, e assim, nesse estar inacabados e na consciência que disso têm, encontram-se as raízes mesmas da educação como fenômeno puramente humano. O caráter inacabado dos homens e o caráter evolutivo da realidade exigem que a educação seja 'uma atividade contínua'. A educação é, deste modo, continuamente refeita pela práxis”(FREIRE, Paulo. Conscientização: teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. São Paulo: Cortez & Morais, 1979, p. 42).
         É essa sensação de inacabamento que resulta das discordâncias. Daí, serem elas tão importantes para a transformação dos valores e do modo como é visto o mundo, do modo como se contam as histórias, do modo como se falam novas coisas. Discordar, minha gente, não é ofender ninguém, mas falar de um outro modo o que ninguém, talvez, tenha falado, permitir-se ao risco de pensar novamente o que já foi pensado."

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Especialista em Metafísica, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Pós-graduando em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.




3 comentários:

  1. Nós estudamos isso né lilian? O dialogo é um modo de se expressar, utilizamos ele em nosso cotidiano para abrir nossos olhares sobre os diversos assuntos. Pelo fato de ouvir a opiniao do outro, nem sempre concordamos o que pode causar um mal entendido ou uma discussao, e elas as vezes nao tem fim pois o outro nao quer desistir de seus argumentos, ele quer continuar impondo sua opiniao, e sem a desistencia das duas partes, pode ocorrer discossoes. Existe um ditado bem legal: "quando um nao quer, dois nao brigam". Nao é isso Lilian???? Bjs, Gi-8°

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    1. Oi, Gi!
      O diálogo é muito importante, como você percebeu. Penso que não estamos suficientemente educados para dialogar, o que mais vemos é a discussão para impor ideias, enquanto que o diálogo está aberto às ideias, não é? Quem sabe conseguiremos mudar um pouco a nossa sociedade...
      Bjs
      Lilian

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  2. Exaato! Lilian, os trabalhos serao entregues quando? Beijoos!!!!

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